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Vivemos em uma sociedade hedonista que busca o prazer como o único propósito de vida, por esse motivo o amor vem perdendo sua verdadeira essência, pois o mesmo perpassa pela dor e renúncia e retirando esse processo dele, nós o mutilamos. E qual seria a verdadeira essência do amor? O sentimento? O prazer? A paixão? O interesse? A reciprocidade? Resposta a estes questionamentos nos dá o autor sagrado em 1 cor.13,4-7: 
 
"O amor é paciente, o amor é bondoso, não inveja, não se vangloria, não se orgulha, não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor, não se alegra com a  injustiça mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta." 
 
Podemos afirmar, então, que o amor é desinteressado, que ele consiste em nos esquecermos de nós mesmos para nos doar ao outro. Independentemente se seremos correspondidos, aceitos e se teremos o afeto ou a indiferença daqueles que amamos. Assim afirma o próprio Jesus no evangelho de São Mateus no capítulo 3 nos versos 43 e 44; 
“Temos ouvido o que foi dito: " Amarás o teu próximo e poderás odiar teu inimigo. Eu, porém vos digo: amais vossos amigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos o que vos (maltratam e ) perseguem”. 
 
Este exemplo nos dá nosso amado Deus pai, entregando seu único filho para se sacrificar por amor a nós, mesmo sabendo que por muitas vezes não honraríamos com propriedade tal sacrifício e que em grande parte de nossa vida caminharíamos sem ter a consciência de tamanha entrega: 
 
“Com efeito de tal modo Deus amou o mundo, que lhe seu Filho único, para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna."(Jó 1:16) 
 
Por isso, Cristo é para nós nosso maior exemplo de como amar o outro; se deixou ferir por nós, se entregou por nós, se deu inteiramente sem medo da dor, da nossa infidelidade, de nossas debilidades, e das cicatrizes que carregaria dos pregos, da coroa do lado transpassado, e do coração rasgado, esmagado pelo amor.  
 
Por esse motivo, não podemos ter medo de fazer o mesmo e ouvir ao apelo do céu que ecoa junto a são Francisco de Assis dizendo: ​“O amor não é amado".  Apelo que pede para abraçamos as almas e nos entregarmos por elas sem reservas, sem medo de seus pecados, de suas debilidades e misérias. Pois assim, estaremos a abraçar o próprio Deus. 
 
Jesus, mesmo sabendo que tal sacrifício exigiria tudo de si, se deu por inteiro por amor a nós e o mesmo nos convida a fazer aos nossos irmãos; 
 
"Dei-vos o exemplo para que como eu vos fiz, assim façais também vós. Em verdade, em verdade vós digo: o servo não é maior do que o seu Senhor, nem o enviado é maior do que aquele que o enviou." (Jó 13,15) 
 
É desejo do coração de Deus que amemos uns aos outros e também nos sacrifiquemos por aqueles que amamos, seja em uma amizade, em um tempo de discernimento, no namoro, no noivado, no casamento, na família, em nossa comunidade, na sociedade como um todo. 
 
Como dizia nosso amado baluarte São Padre Pio de Pietrelcina nos preparando para as realidades que viveríamos: ​"Aquele que deseja amar, deve estar preparado para sofrer".  
Encontraremos ao longo do caminho pessoas difíceis, carentes, traumatizadas, solitárias, que foram abandonadas, traídas, machucadas, abusadas, pessoas que não foram amadas de verdade, por isso carregam dores, feridas, cicatrizes, e machucados difíceis de serem curados e que por esse motivo correm o grande risco de nos ferir e decepcionar. 
 
Mas é exatamente a essas almas que o senhor nos convida a nos entregar e a abraçar; ​"Os sãos não precisam de médico, mas os enfermos ..." (Mar 2, 17) 
 
​E será através delas que O encontraremos. 
 
É inegável que muitas vezes nós mesmos seremos essas pessoas (feridas), porque todos temos nossas debilidades, nossos problemas, e nossos pecados. 
 
Por isso, não devemos pedir a Deus somente para inflamar nosso coração com o desejo de ajudar o outro, mas devemos também orar para que se levantem almas que se anseiam pelas nossas, que nos levantem e abracem quando necessário.
 
Almas que sonham com o céu e a nossa salvação, pois não somos uma ilha isolada e Deus não deseja que sejamos. Precisamos dar e receber afeto, buscar e sermos buscados, ajudar e sermos ajudados, e o próprio Senhor nos dará essa graça e estará ao nosso lado. 
 
Que possamos nesse combate e nesse longo caminho a percorrer contar com o auxílio da Bem Aventurada Virgem Maria, como fez São Bernardo de Claraval ao afirmar: ​“Se Ela te sustenta, não cairás; se Ela te protege, nada terás a temer; se Ela te conduz, não te cansarás, se Ela te é favorável, alcançarás o fim”. 
Que ela nos ensine, nos eduque, nos modele, nos faça cada vez mais submissos a vontade de nosso Amado Jesus e nos dê um coração ardente de amor pela salvação das almas como o Dela ao entregar ao anjo o seu ​FIAT (Faça-se) ​ para que a salvação entrasse no mundo mesmo sabendo que grandes dores, e tribulações viriam, e que seu coração teria que sangrar se aceitasse tal chamado. 
 
Mas quanto a nós; ​“Ainda não temos resistido até sangue…” (Heb 12,4) 
 
Que Ela interceda por nós para que tenhamos a consciência de que se queremos amar precisaremos sangrar! 
 
Salve Maria Puríssima! 
 
Karine Stefane  
Vínculo I - CMHN